quinta-feira, 25 de abril de 2013

Exclusivo: internado em hospital, Hildebrando chora e se diz arrependido Publicado por Sentinela da Fronteira em30 de março de 2013 | 0 Comment Por Lane Valle

“Se eu pudesse voltar atrás, não teria tentado mudar o mundo sozinho”, diz o ex-coronel da PM acusado de liderar um grupo de extermínio no Acre
HILDEBRANDO Pascoal estava internado em um leito da UPA do 2º Distrito – Imagem de arquivo
O ex-deputado federal Hildebrando Pascoal, conhecido nacionalmente como o “homem da motosserra”, estava internado ontem em um leito de hospital na Unidade de Pronto Atendimento (Upa), do 2º Distrito. Pascoal deixou o complexo penitenciário Dr. Francisco de Oliveira Conde, onde cumpre pena há 13 anos, no último domingo (11), depois de passar mal na cela.
A reportagem do Página 20 teve acesso ao ex-coronel da Polícia Militar, que se encontrava bastante debilitado no leito 26, do Observatório Adulto. Queixando-se de dores na região lombar e nas articulações, Hildebrando diz tomar vários medicamentos por dia. Apesar da intensidade da dor, ele se recusa a tomar morfina, como já foi cogitado pelos médicos, segundo o próprio paciente.
Hildebrando Pascoal disse durante entrevista que está profundamente arrependido do passado, e que hoje é um homem de Deus. “Se eu pudesse voltar atrás, não teria tentado mudar o mundo sozinho. Hoje sou um homem sem saúde, longe da família e que não pôde acompanhar o crescimento dos netos. A Justiça me tirou tudo. Mas não guardo rancor. Hoje conheço a Palavra de Deus. Me arrependo do passado! Quero apenas terminar a vida com dignidade. Não quero regalias. Também não quero prisão domiciliar. Quero que me tratem como os demais presos. Não devo um dia de prisão”, declara Hildebrando Pascoal.
Para quem não se recorda, Hildebrando Pascoal, ex-deputado federal pelo PFL do Acre (atual Democratas), foi cassado em 1999 depois de sofrer investigações da CPI do Narcotráfico e do Ministério Público Federal. Ele é acusado de liderar um grupo de extermínio no Estado (esquadrão da morte), integrar esquema de crime organizado para tráfico de drogas e prática de homicídio. O assassinato de Agilson Santos Firmino, o Baiano, foi o que mais repercussão teve à época. Baiano teve os membros superiores e inferiores amputados a golpes de motoserra.
É a terceira vez que a reportagem deste matutino conversa com o ex-coronel dentro de uma unidade hospitalar – a última vez foi em fevereiro deste ano, quando Hildebrando Pascoal foi internado no Hospital das Clínicas com os mesmo sintomas causados pela artrose. Hildebrando Pascoal também sofre de hipertensão e diabetes.

terça-feira, 9 de abril de 2013

ESTA REPORTAGEM SAIU JUSTAMENTE NO DIA DA MENTIRA!!!!!!!!!!!


“Eu gostaria que meus processos fossem analisados juridicamente. Eu só queria isso aí”, diz Hildebrando Pascoal

1 de abril de 2013 - 3:43:19 Capa_Hild
Ray Melo, da redação de ac24horas
raymelo@ac24horas.com
Fotos: Willamis França
Internado há mais de 15 dias, no Hospital das Clínicas do Acre, Hildebrando Pascoal, que é acusado na Justiça de chefiar o esquadrão da morte, recebeu neste final de semana, visita da vice-presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara, deputada federal Antônia Lúcia (PSC-AC).
A parlamentar solicitou a secretaria de Saúde do Acre, Suely Costa, uma visita ao ex-deputado, para verificar se ele estaria recebendo tratamento adequado no sistema de saúde pública do Acre. Preso há 14 anos, e acometido de sérios problemas de saúde, Hildebrando Pascoal passa por tratamento no HC.
Hildebrando Pascoal e a vice-presidente da CDH, Antônia Lúcia
Hildebrando Pascoal e a vice-presidente da CDH, Antônia Lúcia
Abatido e demonstrando está bastante debilitado, Hildebrando Pascoal disse que estaria sendo bem tratado, mas teme pelo agravamento de seu estado de saúde, no retorno ao presídio. “Aqui estou sendo bem tratado, mas devo retornar logo ao presídio. Lá, eu não sei como vai ficar minha saúde”, enfatiza.
Hildebrando Pascoal fez um apelo a Antônia Lúcia, que caso, ela pudesse interceder, “eu gostaria que meus processos fossem analisados juridicamente. Eu só queria isso aí. Que os processos sejam analisados juridicamente, para que eu possa exercer meu direito de defesa com critérios jurídicos”, diz Pascoal.
Preso na época em que exercia o mandato de deputado federal, Hildebrando Pascoal foi acusado de diversos crimes. Ele também é acusado pelo assassinato do mecânico Agilson Firmino dos Santos, o “Baiano”, que foi torturado e teve o corpo cortado com o uso de uma motosserra, em setembro de 1996.
O coronel que teve a patente cassada foi condenado a mais de 80 anos de prisão por tráfico de drogas e a morte de um policial, crimes que ele nega ser o autor. Nas entrelinhas, o ex-deputado deixou escapar que estaria sendo vítima de um tipo de armação política, o que o tornaria um preso político.

quinta-feira, 28 de março de 2013

me enojou encontrar isto hoje na internet

Menino teria sido queimado vivo no Acre

O menino Wilder Oliveira Firmino, de 13 anos, foi morto com requintes de crueldade como parte da "vingança da família Pascoal" pela morte de um de seus membros, o subtenente da PM Itamar Pascoal.
Ele teria sido queimado vivo com óleo quente usado para preparar asfalto e sua coluna cervical teria sido quebrada.
Esse é o teor da denúncia apresentada anteontem à Justiça do Acre pelo Ministério Público Estadual. No documento, o crime, cometido em julho de 1996, é narrado em detalhes e é pedida a prisão preventiva dos envolvidos.
O tenente da PM Pedro Pascoal Duarte Pinheiro Neto, irmão de Hildebrando, foi denunciado como sendo o autor do tiro que atingiu a cabeça do menino. Pedro Pascoal faz parte do grupo de 28 pessoas que estão detidas em prisão temporária em Brasília.
Além dele, foram denunciados outros dois soldados da PM como co-autores do crime: Sebastião Crispim da Silva e Antônio Oliveira da Silva.
O primeiro foi morto pelo esquadrão da morte supostamente comandado pelo ex-deputado, numa espécie de "queima de arquivo". Silva não está no grupo de detidos, até o momento.
Segundo o Ministério Público, o menino foi morto porque os autores do crime não conseguiram encontrar naquele momento o pai dele, Agilson Santos Firmino, o Baiano, acusado de ter participado da morte de Itamar Pascoal.
Baiano foi morto pouco depois e seu corpo foi partido com uma motosserra.
Wilder teria sido levado pelos três para as margens da BR-364, em pavimentação, onde foi torturado. A denúncia afirma que Wilder, "de olhos vendados, foi obrigado a se ajoelhar na piçarra (matéria-prima do asfalto)", para que delatasse o paradeiro do pai.
Como não confessou, logo depois ele teve a coluna cervical quebrada por Pedro Pascoal e Sebastião Crispim e recebeu o tiro na cabeça disparado pelo irmão do ex-deputado.
Segundo apurou o Ministério Público, após o tiro, Pedro Pascoal "cerrou os punhos e, voltado ao céu, bradou: "Meu irmão, um já foi!"." (WF)

quarta-feira, 20 de março de 2013

Conselho Nacional do Ministério Público arquiva denúncias de Hildebrando Pascoal


O Conselho Nacional do Ministério Público considerou infundadas as denúncias feitas pelo ex-coronel da PM, Hildebrando Pascoal, que apontava irregularidades no concurso público realizado em 1997 envolvendo a desembargadora Eva Evangelista e a procuradora Vanda Denir Milani Nogueira.
O despacho é assinado pelo procurador regional da República da Corregedoria Nacional, Elton Ghersel. Na conclusão da sindicância, o procurador afirma que o processo foi arquivado “por ausência de provas capazes de fundamentar a investigação criminal”.
O procurador sustenta ainda que os fatos apresentados na denúncia já haviam sido motivo de apreciação por parte do Ministério Público do Acre em 1997 e que, inclusive, ocasionou a anulação do exame “em virtude da existência de fortes indícios de quebra de sigilo das questões”, diz o procurador.
À época, o fato teve grande repercussão. A Polícia Federal realizou perícias, mas não conseguiu encontrar elementos que comprovassem irregularidades. O procurador Ghersel argumenta que as investigações “tendo ou não sido suficientes” e “corretas ou não as decisões de arquivamento”, o fato é que a pretensão de punir “encontra-se há muito prescrita”.
“O Conselho Nacional isentou tanto a desembargadora Eva quanto a procuradora Vanda de qualquer procedimento irregular”, afirmou a procuradora-geral do Ministério Público do Acre, Patrícia Rêgo.
Requentou
As denúncias feitas pelo ex-coronel requentaram o episódio e foram realizadas de uma maneira que causou temor em Rio Branco. Em novembro de 2011, Hildebrando Pascoal escreveu três cartas fazendo ameaças à desembargadora Eva Evangelista, ao então procurador-geral de Justiça, Sammy Barbosa, e ao senador Jorge Viana (PT/AC).
Em fevereiro do ano passado, as cartas de Hildebrando ganharam repercussão nacional com a publicação da íntegra do conteúdo no jornal O Estado de S. Paulo. “Ele requentou o assunto que já havia sido arquivado pelo STJ”, afirmou a procuradora-geral do MP, Patrícia Rêgo. “Agora, com a decisão do CNMP, isso é um assunto encerrado”.
Última atualização em Qua, 13 de Março de 2013 09:58

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Justiça decide sobre pedidos de defesa e MP no processo de Hildebrando Pascoal

A juíza titular da Vara de Execuções Penais (VEP) da Comarca de Rio Branco, Luana Campos, tomou uma série de decisões acerca dos pedidos feitos pelo Ministério Público Estadual (MPE) e pela defesa do reeducando Hildebrando Pascoal, ex-coronel da Polícia Militar e ex-deputado federal (processo nº 0002676-36.2008.8.01.0001).
 HILDEBRANDO Pascoal cumpre penas que somais mais de 80 anos - Foto: Agência TJACHILDEBRANDO Pascoal cumpre penas que somais mais de 80 anos - Foto: Agência TJAC
Preso há 12 anos na Unidade de Regime Fechado 2 (antigo presídio Antônio Amaro), em Rio Branco, Hildebrando Pascoal cumpre penas que somam mais de 80 anos, condenado por crimes que envolvem homicídio, sequestro, formação de quadrilha, narcotráfico e delitos eleitorais e financeiros.
Em julho de 2012, a Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Acre negou, por unanimidade, o pedido do Ministério Público Estadual para transferência do reeducando para uma penitenciária federal de outro Estado (processo nº 0002676-36.2008.8.01.0001 – Agravo de Execução Penal).
Atualmente, em razão do seu estado de saúde, o réu dispõe de uma cela adaptada especialmente às suas condições, com piso antiderrapante, barras de apoio nas paredes do banheiro e colchão ortopédico, uma vez que o reeducando padece de enfermidades comprovadas como hipertensão arterial, hérnia de disco, artrose e bursite.
Além disso, mais recentemente, Hildebrando Pascoal teria sido diagnosticado com claustrofobia, fobia caracterizada pela aversão ao confinamento. Por esse motivo, a juíza Luana Campos, titular da Vara de Execuções Penais, que gerencia as penas dos reeducandos na Comarca de Rio Branco, também determinou que seja realizada perícia médica para nova avaliação do quadro clínico.

Abertura de processo administrativo negada

Em sua nova decisão no processo, primeiramente, a magistrada negou o pedido apresentado pelos defensores do reeducando para remessa de atos da administração penitenciária à direção da Polícia Civil, objetivando a investigação de suposto crime de desobediência.
A defesa de Hildebrando Pascoal havia apresentado o pedido, alegando que o Iapen/AC impediu que determinados documentos lhe fossem entregues. Os fatos foram negados pela direção do órgão.
Em sua decisão, Luana Campos ressaltou não verificar a existência de elementos informativos suficientes que ensejassem a abertura do procedimento administrativo, "uma vez que a administração informou que não obstaculizou a entrada de qualquer documento na unidade, conforme ordem judicial".
A magistrada também lembrou que, em inspeção realizada neste mês de janeiro de 2013, esteve na cela do reeducando e constatou "in loco a grande variedade de papéis que o mesmo acumula".
De acordo com a juíza titular da VEP, a defesa de Hildebrando Pascoal também não informou quais documentos teriam sido barrados. Por esses motivos, Luana Campos indeferiu o pedido realizado pela defesa.

Retroatividade da lei

A defesa do reeducando também teve negado o pedido de reconhecimento e aplicação retroativa da Lei nº 10.826/2003 (Estatuto do Desarmamento), quanto à acusação de porte ilegal de arma de fogo, sob a alegação de que a nova legislação lhe seria mais favorável.
Segundo Luana Campos, "o juízo que emitiu a sentença levou em conta, devida e oportunamente, a nova lei que dispôs sobre o registro, posse e comercialização de armas de fogo e munição, chegando à conclusão de que o Estatuto do Desarmamento seria manifestamente mais severo que a antiga legislação especial".
Dessa forma, rever a decisão do magistrado "implicaria em verdadeiro juízo rescindens (que objetiva desconstituir uma decisão prolatada), cumulativamente com o juízo rescisorium (que busca a substituição da decisão de 1º grau por outra), o que não se insere na competência deste juízo de execução", destacou a juíza titular da VEP.

Prescrição

Outro pedido apresentado pela defesa de Hildebrando Pascoal diz respeito à extinção da punibilidade do acusado pelos crimes de desacato (artigo 331, do Código Penal) e resistência eleitoral (artigo 347, da Lei nº 4.737).
Neste tocante, a magistrada lembrou que, desde o recebimento da denúncia até a publicação da sentença, transcorreram mais de quatro anos, sendo que Hildebrando Pascoal, por esses crimes, especificamente, foi condenado a uma pena não superior a dois anos de reclusão.
Dessa maneira, com fundamento no artigo 109, inciso cinco, e também o artigo 110 do Código Penal, a magistrada decretou a extinção da punibilidade do acusado, pelos crimes de desacato e resistência eleitoral.
A data base de sua pena, no entanto, não deverá ser alterada, uma vez que, no mesmo processo, Hildebrando Pascoal foi condenado a uma pena de 6 anos de reclusão pelo crime de porte ilegal de arma de fogo.

Remissão de pena

Na mesma decisão, Luana Campos também negou o pedido apresentado pelo Ministério Público Estadual (MPE) para desconsiderar os dias trabalhados pelo reeducando, nos anos de 2005, 2006 e 2007, em razão da ausência de uma portaria específica do Iapen, que autorizasse o desenvolvimento da atividade laboral.
A magistrada qualificou como "desarrazoada" a exigência do MPE, uma vez que a própria Lei de Execuções Penais disciplina a matéria. Portanto, "a formalidade pretendida pelo MPE não é condição sine qua non (sem a qual não existe) para se reconhecer que o trabalho foi efetivamente prestado pelo apenado", destacou Luana Campos.
Por fim, a juíza também determinou que seja providenciada uma nova liquidação da pena, isto é, um novo somatório da pena a ser cumprida pelo reeducando, a partir das determinações da sua recente decisão.

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

TESTEMUNHA DE ACUSAÇÃO Ricardo Brandt - O Estado de S.Paulo



A sala do tribunal do júri não é das menores: tem 14 metros por 8. Mas o teto rebaixado e as colunas aparentes passam a ideia de que nos esprememos num porão. Além de jornalistas, os familiares do acusado e das vítimas, vários curiosos e muitos estudantes de direito lotam os 40 bancos de madeira. Há policiais por toda a volta. Hildebrando continua impávido. Como de hábito, fita de cima a baixo qualquer um que se aproxima. Com Evanilda não é diferente.

Beira o meio-dia em Rio Branco quando ela se senta em frente do juiz Leandro Leri Gross para falar sobre o passado que esconde desde 1996. Segunda testemunha a ser ouvida no julgamento do crime da motosserra, um dos assassinatos mais brutais da década de 90 no Brasil, Evanilda entra escoltada por policiais e por ovalados óculos escuros. Exibe pele morena, anca de mulher brasileira e cabelos encaracolados amparados por uma faixa rajada. A menos de dois metros do seu antebraço esquerdo está Hildebrando, deputado cassado em 1999, o homem acusado de ter comandado a operação criminosa de vingança familiar que resultou na morte do marido e do filho dela. Encolhida na cadeira, como se quisesse fundir-se a ela, a ex-cozinheira Evanilda se expressa com voz sôfrega. A impressão é de que a lembrança da tragédia representa um novo perigo para ela e para os dois filhos que sobreviveram.

Ainda assim, os detalhes do que aconteceu entre os dias 30 de junho e 10 de julho de 1996 brotam no tribunal. Era a hora do almoço daquele último dia de junho quando o telejornal anuncia o assassinato do subtenente da PM do Acre Itamar Pascoal. A baiana Evanilda, nova na cidade, não sabia que Itamar era um dos nove irmãos do poderoso e temido coronel Hildebrando. Já naquela ocasião, antes de ser eleito deputado federal em 1998, Hildebrando estava sob investigação por liderar um grupo de extermínio dentro da polícia batizado de "esquadrão da morte", que o alçava a homem intocável pela Justiça. Ao grupo, o Ministério Público Estadual atribuiu pelo menos 50 execuções cometidas entre as décadas de 80 e 90. Muitas vítimas tinham um traço comum: a cabeça e as mãos eram arrancadas do corpo. "Essa marca cumpria duas funções", explica o procurador de Justiça Sammy Lopes, coordenador do grupo de combate ao crime organizado no Acre. "Primeiro dificultar a identificação dos corpos, impossibilitando exames de digitais e de arcada dentária; depois passar a mensagem de que aquele crime não deveria ser investigado."

Minutos antes da notícia da morte de Itamar, José Hugo chegou à casa de Evanilda. "Ele pediu para usar o banheiro e depois perguntou se o Agilson tinha deixado algum dinheiro para ele", relata a baiana, já sem o escudo dos óculos. "Eu disse que não e ele saiu apressado." José Hugo era um dono de caçambas que chegou a Rio Branco nos anos 80 fugido de processos que enfrentava em Rondônia. Montou o negócio para remoção de entulho em obras públicas, o que o aproximou de políticos. Foram as obras da Rodovia AC-364, que liga Rio Branco à vizinha Sena Madureira e o gosto pela comida baiana os pontos de aproximação entre Hugo e Agilson, também conhecido como Baiano, a partir de abril de 1996. Com suas caçambas locadas para as obras estaduais da estrada, o empresário passou a comprar marmitas no restaurante de Baiano, que ficava ao lado da rodoviária da cidade, com as portas viradas para a pista. À medida que o asfalto evoluía, Hugo sentiu necessidade de um fornecedor de comida em Sena Madureira, onde então passou a existir um grupo de trabalhadores seu. Hugo propôs ajudar Baiano a viabilizar a transferência do restaurante para lá e chegou a comprar comida para que ele cozinhasse.

Naquele dia 30, ambos iriam até a cidade vizinha fechar o aluguel do local onde seria montado o novo restaurante. Num outro canto da cidade, o subtenente Itamar Pascoal dava início aos fatos que atropelariam a vida de Evanilda. O policial retira ilegalmente da cadeia o detento Gerson Turino, condenado por tráfico, e ambos saem pela cidade à caça do homem que recebera de Turino R$ 20 mil para viabilizar, por meio de sua influência com um deputado estadual, um esquema penal "alternativo", no qual o traficante poderia ficar fora durante o dia e passar apenas a noite na prisão. Hugo, porém, usou o dinheiro na compra de um carro e não cumpriu sua parte do acordo. O traficante, então, recorreu a Itamar, que prometeu encontrar o golpista e recuperar o valor.

Pouco antes do horário do almoço, Itamar e Turino encontraram Hugo em um posto de gasolina da cidade. No carro parado, ao volante, estava Baiano. Após uma discussão entre o subtenente e Hugo, o policial desferiu um tapa na cara do caçambeiro, que revidou dando um tiro na cabeça de Itamar. O corpo do subtenente desabou. "Baiano estava com a pessoa errada, na hora errada, no local errado", foi o jargão do promotor Álvaro Pereira, que sustentou a tese aceita pelo corpo do júri para condenar Hildebrando pelas barbaridades que aconteceriam nas horas seguintes. "Após o assassinato de Itamar Pascoal imperou no Estado do Acre a lei do talião e da vingança privada, sendo Agilson Santos Firmino, o Baiano, uma das vítimas inocentes que tombaram frente à nefasta ação criminosa de execução sumária capitaneada pelos acusados." A descrição faz parte da denúncia oferecida pelo Ministério Público e integra o primeiro dos 16 volumes do processo 001.99.010284-0, que engloba mais de 15 mil páginas.

Evanilda teve certeza absoluta de que algo muito grave havia ocorrido por volta das 19 horas daquele mesmo dia, quando seus filhos brincavam na pequena varanda da casa e quatro homens chegaram mostrando uma foto. "A senhora conhece esse homem?" Eram todos policiais, sem identificação oficial. "Esse é o seu Hugo", lembra Evanilda, reconstituindo o passo a passo para o tribunal. Os jurados, 7 homens escolhidos entre a lista de 25 intimados, não tiram os olhos da testemunha.

"Um deles disse que meu marido estava embriagado, que havia acontecido um acidente com ele e que estava detido. Ele disse que precisava de um filho meu para fazer companhia para ele", conta a baiana, com a respiração entrecortada. "Eu disse não, meus filhos são menores, eu vou com vocês." No caminho, quando perguntou o que estava acontecendo, mandaram que calasse a boca. Apenas no quartel da PM ela recebeu a notícia que a levaria ao inferno nas horas seguintes. "Um policial veio e me disse: "Olha, houve um assassinato na cidade, que seu Hugo cometeu; seu marido estava junto dele"."

Evanilda em nenhum momento contorce o pescoço na direção de Hildebrando, que ouve seu depoimento sem esboçar reação. Ela treme como se sofresse de Parkinson. Tem pânico, acima de tudo, dos homens de farda da polícia do Acre. Quando aceitou voltar para a cidade onde prometera nunca mais pisar, a família exigiu que entre seus seguranças não houvesse policiais locais.

O choro interrompe o depoimento. "Quando me levaram de volta pra casa no domingo, vi que o Wilder não estava e perguntei: "Cadê o Wilder?" Minha filha respondeu: "Mainha, ele não está com a senhora?"" Os mesmos homens que a levaram horas antes voltaram até o número 1400 da Rua Rio Grande do Sul para buscar o filho de 13 anos. A filha, Emanuela, hoje com 28, chegou a se oferecer, mas os policiais disseram que era melhor levar Wilder porque havia muitos homens onde o pai estava. Durante toda a madrugada e no dia seguinte, a mãe fez frustradas buscas pela cidade procurando o filho. O marido, que saíra às 6h30 da manhã de domingo, também não dera notícias.

Ela só ficou sabendo da morte de Baiano porque, de segunda para terça, viu no noticiário do jornal que haviam encontrado um corpo mutilado enrolado em pano preto. "Meu Deus, é o Wilder", pensou, já que o marido saíra com uma roupa e o corpo que haviam encontrado estava com outra. Decidiu que tinha de reconhecer o corpo. Chamou um vizinho, mas, no caminho, um outro disse ser melhor procurar um lugar para ficar até que ele entrasse em contato. "Dei o telefone para ele, fui para a casa desse pessoal e fiquei aguardando. Duas horas de relógio depois apareceu o rosto de Agilson na televisão", desaba Evanilda.

Baiano foi espancado (havia várias costelas quebradas), teve pernas, braços e pênis amputados com uma motosserra e um facão (simulações técnicas comprovaram o uso dos instrumentos), os olhos foram arrancados (presume-se que ou foram removidos ou destruídos por tiros) e na testa um prego foi enfiado. O laudo ainda constatou quatro perfurações de bala (outras podem ter sido disparadas via orifícios naturais da cabeça). Seu corpo foi enrolado em um saco preto e jogado na frente do principal canal de televisão da capital. O filho, que nem sequer conhecia José Hugo, também foi torturado antes de ser morto com três tiros na cabeça. Os assassinos queriam informações sobre o paradeiro do assassino de Itamar Pascoal e também vingar-se por seu pai ter acompanhado Hugo naquele dia.

O promotor Álvaro Pereira, um dos três que fizeram parte da banca de acusação do crime, está sentado ao lado do juiz. Com a mão na samarra vermelha, pergunta a Evanilda se ela teve o direito de enterrar o corpo do marido. "Não, não tive. Porque eu sentia medo que meus dois outros filhos fossem sacrificados também. Eu não tive proteção nenhuma, como é que eu iria brigar por um corpo, se eu não tinha nem condição de enterrar?" Ela também não viu o corpo do filho.

A foto do menino Wilder que você vê nesta reportagem é a primeira imagem que a mãe revê do filho nos últimos 13 anos, um retrato 3x4 entregue por ela à polícia dois dias depois de seu desaparecimento. Evanilda saiu de avião do Acre com passagens compradas pela família dela levando algumas roupas num saco preto de lixo. "Fiquei escondida por oito dias na casa de um amigo pobre, dormindo com as crianças no chão." Ela chegou a buscar apoio na Secretaria de Segurança. "Pedi proteção para pegar meus pertences, pelo menos, e a única coisa que me disseram foi: "A senhora não pegue nem roupa, se for possível mande seus filhos na frente e vai depois"".

Entre o primeiro e o segundo dias do julgamento, Hildebrando requereu o direito de fazer autodefesa, uma sustentação oral teatral, em que usou um microfone auricular, gesticulou e mirou os olhos dos jurados para se dizer inocente. "Sou um preso político, vítima da mais sórdida e mentirosa campanha de desmoralização desse País." Para ele, as acusações não passam de uma trama política que tem como autores seus adversários. Ao final do discurso, afirmou que os verdadeiros assassinos de baiano foram dois mortos: o policial e ex-vereador Alípio Ferreira e o ex-deputado Carlos Airton. "Não seria desonra para mim se eu tivesse praticado a morte do Baiano e chegasse aqui na frente e afirmasse: "Matei esse bandido porque ele matou meu irmão". Não seria uma desonra", insistiu.

Às 21h20 da quarta-feira, dia 23, o Tribunal do Júri do Acre condenou a 18 anos de prisão Hildebrando Pascoal Nogueira Neto, de 57 anos. Ele voltou para a cela de número 23 do presídio de segurança máxima Antonio Amaro Alves, em Rio Branco. O ex-parlamentar está preso desde 1999 acusado de assassinatos, tráfico de drogas e formação de quadrilha e ainda será julgado pelo morte de José Hugo, degolado no Piauí em janeiro de 1997. Ao todo, somadas suas penas, ele deveria ficar 106 anos recluso. Pela lei brasileira, cumprirá no máximo 30 anos.

Nos próximos dias, a Justiça do Acre julgará o assassinato do menino Wilder. Evanilda e seus filhos, Emanuele e Eder, voltam ao banco das testemunhas para tentar a condenação dos acusados. O governador do Estado, Binho Marques (PT), afirmou que, após o julgamento do "crime da motosserra", o Acre vira uma página negra de sua história. O filho Eder vira a página do ressentimento. Até o julgamento dessa semana, ele acreditava que o pai tivera participação no crime. Para Evanilda Lima de Oliveira, não há calendário a transpor. O ano de 1996 e sua passagem pelo Estado estão cravados em segredo na sua memória. Aos 53 anos de idade, trabalhando em uma empresa de mão de obra terceirizada, ela parte da capital acreana para um local incerto, em cidade não declarada, de algum Estado deste país.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

INCAPACIDADE

"SEM VOCÊS SOU CAÇADOR SEM CAÇA"

SEMPRE QUANDO ME QUESTIONO TUDO QUE EU E MINHA FAMILIA PASSAMOS ME SINTO INCAPAZ,INUTIL.
NATAL CHEGANDO E RECORDO-ME DO ULTIMO NATAL E REVEILLON QUE PASSAMOS EM FAMILIA.NA ULTIMA NOITE DO ANO DE 1995 MEUS IRMÃOS E EU ESTAVAMOS DE CASTIGO E TIVEMOS QUE FICAR EM CASA ENQUANTO MEUS PAIS SE DIVERTIAM NO PLAYGROUND DO PREDIO.QUANDO DEU MEIO NOITE MEU IRMÃO UILDER PEGOU UM CHAMPANHE,SACUDIU E ABRIU COMO TRADIÇÃO DA FESTA,NÃO LEMBRO MAS ACREDITO QUE NEM BEBEMOS.ISTO ME MARCOU BASTANTE POIS MESMO TRISTES E DE CASTIGO COMEMORAMOS O ULTIMO REVEILON DELE.
NAQUELE ANO ELE NÃO PODE CONCRETIZAR OS PEDIDOS FEITOS NA VIRADA DO ANO POIS SUBITAMENTE TIRARAM SUA VIDA,DE UMA FORMA CRUEL,UMA CRIANÇA COM SONHOS E UMA VIDA A SER DESCOBERTA.
DEPOIS DOS ASSASSINATOS,QUANDO ENCONTRAMOS AMIGOS,NOS DERAM TAMBEM A ULTIMA FOTO TIRADA POR MEU PAI ALIAS MINTO A PENULTIMA POIS A ULTIMA FOTO FORA AQUELA COM O CORPO MUTILADO.NA FOTO DE VIRADA DE 1995/1996 ELE ESTAVA SENTADO NO MEIO DE AMIGOS ,TODOS VESTIDOS DE BRANCO COMEMORANDO AQUELA GRANDE FESTA,BRINDANDO O ANO QUE CHEGAVA,SEM SABER QUE SERIA O ANO DA SUA MORTE,O ANO QUE O SONHO DE NOSSA FAMILIA SERIA DESTRUIDO,O ANO AONDE EU DEIXARIA DE ACREDITAR EM PAPAI NOEL,COELHINHO DA PASCOA E ETC.
BEM NESTE NATAL DESEJO A TODOS PRINCIPALMENTE AQUELAS PESSOAS QUE PERDERAM SEUS ENTES QUERIDO DE FORMA TRAGICA IGUALMENTE OU NÃO A FORMA QUE  PERDI.
QUE ESTE ANO SEJA O ANO DE VITORIAS E NÃO DE PERDAS!

EMANUELA FIRMINO
 Papel de Parede - Encontro com Papai Noel